Não há quem tenha mais que 20 carnavais que possa encontrar um único esporte cujas regras, formas, tecnologia e desempenho não tenham evoluído e mudado. No vôlei, podemos usar o pé e as pernas, hoje se cobra a lateral com os pés no futebol de salão, assim por diante.
A Fórmula 1 se reinventou nos últimos anos, não só buscando competitividade e evolução tecnológica, como segurança para os pilotos e espectadores. Após a morte de Senna, rodas presas ao carro, limitações de motor, muito se fez para melhorar a segurança no esporte.
E sim, por um bom tempo tivemos a disfunção Ferrari/Schumacher, uma equipe que combinava recursos financeiros, humanos a um dos melhores pilotos da história do automobilismo, por um tempo imbatível.
Mas o que estamos presenciando hoje é um atentado a Darwin, dividir a categoria em espécies que possam concorrer em condições diferentes é envenenar a seleção natural.
Concordo que dado o custo da categoria, sua competitividade (financeira) e os altos valores que estamos falando, ela pode sim estar em risco de extinção (pequena figura de linguagem, sabemos que a F1 continuará existindo), MAS esta entidade privada deve entender e respeitar que o brand por trás de seu nome (Fórmula 1) demanda respeito pelos participantes do esporte, equipes (FOTA) e pilotos.
Se estão tão preocupados com os custos da categoria, por que implementar o KERS num ano como esse? E como controlar o real teto orçamentário, onde grande parte das equipes são de propriedades das montadoras, capazes de absorver custos e investimentos tecnológicos em projetos paralelos ofuscando seu real objetivo? E por que, depois de tanto sucesso e melhora na competitividade das equipes, ainda reduzida pela má interpretação da regra sobre os famosos difusores, mudar tanto novamente? Quem (estatisticamente falando), além de Mosley, realmente acredita que a F1 será mais divertida quando da mudança da regra que qualifica o campeão por vitórias, e não mais por pontos acumulados?
Amigos do bolão, são perguntas que num momento como esse não consigo responder. E se existe uma crise econômica no mundo, o sucesso da Brawn ofusca a saída da Honda, para deixar claro que na Fórmula 1 de hoje, temos uma crise estrutural de relacionamento, uma crise política, de interesses econômicos, que hoje diminui, não soma, e ainda pode dividir.
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